A mensagem de João para os anjos das igrejas de Éfeso (1), Esrmina (8), Pérgamo (12), Tiatira (18), com elogios, críticas e exortação.
Todo o conteúdo do Apocalipse se destinava às sete igrejas. O livro-carta foi dedicado às sete igrejas, tendo como remetentes o Pai, o Espírito e o Filho (Ap 1:4, 5). Na conclusão do livro, as “igrejas” voltam a ser mencionadas (Ap 22:16). Não se pode negar o fato de que a carta original do Apocalipse (ou suas cópias) tenham sido enviadas para essas igrejas.
Sete períodos: A linguagem e a referência às igrejas no início e no fim do livro, indicam fortemente que o conjunto das sete igrejas transcende ao daquelas congregações da Ásia Menor, ainda mais, considerando-se o número sete, que simboliza plenitude, completude, perfeição e universalidade. Assim:
Primeiro: O Apocalipse trata da história cristã, iniciada com Jesus e que será encerrada por Ele;
Segundo: Os sete Espíritos representam a ação universal do Espírito (Apocalipse 1:4; 3:1; 4:5; 5:6), então as sete igrejas representam a universalidade da igreja, tanto no espaço (mundo) como no tempo (até a eternidade).
As sete igrejas se encontram numa sequência geográfica, definida pela estrada romana que as ligava. Ou seja, há uma ordem, uma sequência lógica. Embora a referência ao transcurso da história não seja tão explícita, ela é notada claramente nas entrelinhas. Talvez, se tivesse sido explícita, não teria tido tanta importância para as igrejas daquela época. As palavras foram colocadas de tal maneira que faziam sentido para os cristãos daquela época, assim como fizeram nas eras subsequentes, até os nossos dias.
Ellen White foi contundente quanto à simbologia das sete igrejas, enfatizando que representam sete períodos da história eclesiástica. “Os nomes das sete igrejas são símbolos da igreja em diferentes períodos da era cristã. O número sete indica plenitude e simboliza o fato de que as mensagens se estendem até o fim do tempo, enquanto os símbolos usados revelam o estado da igreja nos diversos períodos da história do mundo.
As cartas às sete igrejas são compostas por seis partes:
Destinatário: “Ao anjo da igreja em _________ escreve”.
“Estas coisas diz…”.
Palavras de elogio ou reprovação à igreja.
Conselho.
Chamado (convite) a ouvir “o que o Espírito diz às igrejas”..
Promessa ao vencedor.
Um dos aspectos mais marcantes das cartas é a forma personalizada como Jesus se apresenta para cada igreja. Para nenhuma igreja Ele se apresenta da mesma forma. Por exemplo, para a atribulada e ameaçada de morte Esmirna (Ap 2:9-11), Ele se apresenta previamente como aquele que esteve morto e tornou a viver (Ap 2:8). Se a igreja de Pérgamo tem em seu meio uma mistura de fiéis e libertinos, Jesus se apresenta com uma espada afiada que age tanto para separá-los como para punir os maus elementos (Ap 2:12, 14, 15). Torna-se evidente que a característica de Jesus na visão do capítulo 1 é uma resposta prévia a necessidades específicas da igreja em cada fase de sua história.
Nas sete cartas, Jesus manifesta um conhecimento profundo das igrejas e fala de modo muito prático. Para cinco das sete igrejas Ele diz: “Conheço as tuas obras”. Em outras palavras, aquilo que fazemos é uma expressão de nossa fé, e, sem obras, a fé está morta (Tiago 2:26). Contudo, Jesus reconhece nossas lutas, ao passo que nos leva a pensar no que precisamos melhorar. Sim, Ele repreende, mas faz isso porque ama, como afirma abertamente a Laodicéia (Ap 3:9).
1 - Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:
A. Anjo da igreja em Éfeso: Ver com. de Ap 1:20.
Éfeso: Alguns definem o nome Éfeso como “desejável”. Nos dias de João Éfeso era a principal cidade da província romana da Ásia e, posteriormente, se tornou a capital (ver com. de Ap 1:4; 2:12). Situava-se ao ocidente, no final da grande estrada que atravessara a Ásia Menor desde a Síria. Isto, junto com a localização em um importante porto marítimo do Egeu, a transformou em um centro de negócios. O cristianismo deve ter sido pregado ali pela primeira vez em 52 d.C., por Paulo, ao parar por um curto período enquanto voltava para Jerusalém e Antioquia, a pós a segunda viagem missionária. Seus amigos Áquila e Priscila se estabeleceram na cidade na época, e, junto com o judeu alexandrino chamado Apolo, cujo conceito do cristianismo parecia anterior ao Pentecostes, mantiveram a obra de evangelização até o retorno de Paulo, um ou dois anos depois (ver At 18:9 - 19:7). Nessa ocasião, o apóstolo permaneceu em Éfeso por cerca de três anos, mais tempo do que em qualquer outro lugar no registro de suas viagens missionárias. Isso sugere que a obra ali foi frutífera. Lucas, seu biógrafo, declara: "Dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos" (At 19:10). Portanto, é provável que, durante esse período, pelo menos algumas das outras igrejas da Ásia tenham sido fundadas (ver Cl 4:13, 15 ,16). Após ficar preso em Roma pela primeira vez, Paulo deve ter visitado Éfeso de novo, por volta de 64 d.C., deixando Timóteo na liderança da região (ver 1Tm 1:3).
Portanto, na época em que o Apocalipse foi escrito, Éfeso deveria ser um dos principais centros do cristianismo. Em consequência, era adequado que a primeira mensagem de Cristo, por intermédio de João, fosse dirigida a essa igreja. Sua localização central em relação ao mundo cristão como um todo torna ainda mais compreensível que sua condição espiritual seja a característica de toda a igreja durante o período apostólico, que se estendeu até por volta do fim do primeiro século (31-100 d.C.). Esse período pode muito bem ser chamado de era da pureza apostólica, atributo extremamente desejável aos olhos de Deus.
B. Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas:
Conserva: Do gr. Krateõ, “segurar firme”, expressão mais intensa do que a usada em Apocalipse 1:16.
Sete estrelas: Ver com. de Ap 1:16, 20. Os líderes da igreja devem permanecer sob a proteção e controle de Cristo. Na tarefa que lhes foi designada, sempre são sustentados pelo poder e pela graça divina. Deve-se notar que a forma característica de Cristo Se apresentar a cada uma das sete igrejas é extraída da visão de Ap 1:11 a 18.
C. E que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Uma descrição mais vívida do relacionamento entre Cristo e a igreja do que em Apocalipse 1:13, em que João diz que Cristo estava “no meio dos candeeiros”. Assim como cada igreja do período apostólico desfrutava o cuidado, a atenção e o ministério de Jesus, a igreja cristã como um todo tem os mesmos privilégios ao longo dos sucessivos períodos de sua história. Assim se cumpriu a promessa de Cristo aos discípulos de estar com eles “todos os dias até à consumação do século” (Mt 28:20).
Candeeiros: Ver com. de Ap 1:12.
2 - Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;
A. Conheço as tuas obras: A cada uma das sete igrejas, Cristo declara: “Conheço as tuas obras”. A advertência é de alguém que conhece plenamente os problemas de cada igreja e, por isso, é capaz de recomendar uma solução apropriada e eficaz.
Tuas: A segunda pessoa do singular é usada porque Cristo Se dirige ao “anjo” (v. 1) que representa cada membro da igreja, ou a igreja como unidade. Jesus lida com as pessoas de forma coletiva, como igreja, e também pessoalmente.
Obras: Do gr. erga, “atos, ações, atividades”; de maneira mais específica, obras que revelam o caráter. Jesus conhece toda a vida e conduta da igreja.
B. Tanto o teu labor como a tua perseverança:
Labor: Do gr. Kopos, a fraqueza ou o cansaço que resulta do esforço excessivo refletido na palavra “labuta”. É como se Cristo dissesse: "Sei o que você tem feito e também conheço a labuta e a perseverança necessárias para tal."
Perseverança: Do gr. hupomonê, “perseverança", "tolerância [ativa, constante]", literalmente "permanecer debaixo”.
C. E que não podes suportar homens maus: Muitas vezes, tanto hoje quanto no passado, a igreja se encontra propensa a “suportar” ou tolerar os ensinos e práticas maléficas, supostamente em nome da paz. Os ministros/líderes podem achar mais fácil ficar em silêncio em relação a pecados acariciados de suas igrejas, em vez de se posicionar ao lado da verdade (Is 30:10; 2Tm 4:3). A igreja de Éfeso foi elogiada por fazer uma distinção clara entre a verdade e o erro, tanto na doutrina quanto na vida, e por se posicionar firmemente contra o erro.
Homens maus: Isto é, falsos apóstolos. Erros doutrinários graves que refletem, mais cedo ou tarde em graves problemas de conduta. Aquilo que uma pessoa faz resulta daquilo em que ela pensa e crê (ver Pv 4:23; Mt 12:34; 1 Jo 3:3).
D. E que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são:
- Prova: Do gr. peirazõ, “testar, provar”. A igreja de Éfeso havia investigado as declarações e os ensinos dos falsos apóstolos. Inácio, ao escrever no início do 2º século, fala sobre o zelo dos cristãos efésios em rejeitar as heresias. Em uma de suas epístolas, João advertiu os crentes a respeito da segunda vinda do “anticristo” e os aconselhou a provar “os espíritos se procedem de Deus” (1 Jo 4:1-3). Cumprira-se a admoestação feita por Paulo aos líderes de Éfeso muitos anos antes, de que “lobos vorazes” entrariam no meio deles “falando coisas pervertidas” (At 20:29, 30). Ele aconselhara os tessalonicenses a julgar “todas as coisas” e reter “o que é bom” (1 Ts 5:21). Pedro escreveu a respeito dos “falsos profetas e falsos mestres” (2Pe 2; comparar com 1 Tm 1:20; 2 Tm 4:14, 15). Embora, a princípio, possa ser difícil identificar os erros sutis de seus ensinos, os mestres podiam ser reconhecidos “pelos seus frutos” (ver Mt 7:15-20). O mesmo ocorre hoje, pois o genuíno “fruto do Espírito” (ver Gl 5:22, 23) não se desenvolve na vida daqueles que ensinam e praticam o erro. O cristão sincero que é sensível às coisas espirituais recebe a promessa de que pode, caso queira, detectar o espírito não cristão e os motivos que impulsionam cada mestre do erro (ver com. de 1 Jo 4:1; Ap 3:18).
- Se declaram apóstolos e não são: Dentre as heresias mais graves que ameaçavam a igreja no fim do primeiro século estavam o docetismo e uma forma inicial de gnosticismo. A situação de Éfeso, nesse período, relativa aos embates com falsos profetas, também se aplicava à igreja como um todo.
Gnosticismo: Em grego significa conhecimento. Movimento filosófico-teológico que considera o conhecimento como decisivo para a salvação. Nasce antes do cristianismo com elementos de diversas culturas antigas. Adquire força no mundo judeu e heleno desde o século I a. C. e se prolonga, também com elementos cristãos, até o século IV d.C. É dualista; o espírito deve ser libertado do cárcere da matéria por meio do conhecimento em etapas sucessivas. Posteriormente várias seitas heréticas, como os docetas e os valentinianos, embora divergentes entre si, professaram ideias gnósticas, que incluíam uma visão negativa da criação, negação da encarnação, da morte e da ressurreição de Cristo, substituição dos sacramentos por ritos gnósticos mágicos, mudança do cânon das Escrituras etc.
3 - e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer.
A. E, tens perseverança: Ver com. do v. 2.
B. E que suportaste provas por causa do meu nome:
Suportaste: A igreja de Éfeso havia se recusado a “suportar homens maus” (ver com. do v. 2), mas suportava com perseverança a inevitável aflição causada por falsos mestres e a perseguição nas mãos de judeus e gentios fanáticos.
Por causa do Meu nome: Ver com. de At 3:16. Os seguidores de Cristo eram conhecidos pelo Seu nome e passaram a ser chamados de cristãos. Foi a fidelidade a esse Nome e a lealdade ao Senhor que os sujeitaram à perseguição por parte das autoridades romanas e levaram ao sofrimento nas mãos daqueles que estavam propensos a subverter sua fé.
C. E não te deixaste esmorecer: Do gr. kopiaõ, “ficar exausto, cansar-se” (comparar com Is 40:31; Jo 4:6).
4 - Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
A. O teu primeiro amor: Este sentimento incluía amor por Deus e pela verdade, amor uns pelos outros como irmãos e pelas pessoas em geral (ver com. de Mt 5:43,44; 22:34-40). Talvez as controvérsias doutrinárias incitadas pelos falsos mestres tenham dado origem a um espírito faccioso. Além disso, a despeito dos esforços diligentes por parte de muitos para deter a maré de falsos ensinos, alguns dos que permaneceram na igreja foram, sem dúvida, afetados por eles. A atuação do Espírito Santo, que converte os princípios da verdade em força viva para a transformação do caráter (ver Jo 16:8-11; Gl 5:22, 23; Ef 4:30), como mensageiro da verdade (Jo 16:13), fora subvertida até o ponto em que o erro encontrou morada na igreja. Além disso, à medida que o testemunho daqueles que havia interagido pessoalmente com Jesus foi silenciado com a morte de um por um, a visão da iminência do retorno de Cristo (ver com. de Ap 1:1) começou a se esvaziar, e a chama da fé e da devoção passou a queimar cada vez com menos intensidade.
5 - Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.
A. Moverei do seu lugar o teu candeeiro: Ver com. de Ap 1:12. A igreja perderia o status de representante oficial de Cristo. A igreja caíra, mas a misericórdia divina pacientemente proveu uma oportunidade para o arrependimento (2 Pe 3:9).
B. Caso não te arrependas: No prólogo de sua epístola aos efésios, Inácio relata que a igreja atendeu ao convite de se lembrar, arrepender-se e voltar à prática das primeiras obras.
6 - Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.
A. Nicolaítas: Uma das seitas hereges que assolava as igrejas de Éfeso e Pérgamo (v. 15) e talvez outros lugares. Irineu identifica os nicolaítas como uma seita gnóstica: "João, o discípulo do Senhor, prega esta fé [ a divindade de Cristo] e procura, mediante a proclamação do evangelho, remover o erro que foi disseminado por Cerinto entre os homens e muito tempo antes por aqueles denominados nicolaítas, que são um desdobramento daquele 'conhecimento' que pode confundir, e os persuadir de que só um Deus, que fez todas as coisas por meio de Sua palavra". Também há evidências históricas de uma seita gnóstica cujos membros eram chamados de nicolaítas mais ou menos um século depois. Alguns da igreja que expressaram sua preocupação a esse respeito, (Irineu, Hipólito) identificam que seu fundador foi Nicolaou de Antioquia, um dos sete diáconos (ver AT 6:5). Não há como saber se essa tradição acerca do diácono Nicolaou é verdadeira, mas a seita pode ser a mesma mencionada por João. Pelo menos no 2º século parece que os adeptos desta seita ensinavam que os atos da carne não afetavam a pureza da alma e, por isso, não tinham consequência alguma para a salvação.
7 - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
A. Quem tem ouvidos: Isto é, para ouvir o conselho dado (ver com. de Ap 1:3; Is 6:9-10; Mt 11:15). A mesma fórmula acompanha a promessa feita a cada uma das sete igrejas.
B. Ouça o que o Espírito diz às igrejas: O texto grego desta passagem sugere que os que ouvissem fariam isso com entendimento (ver com. de At 9:4). Ouvir a palavra de Deus só faz sentido se, a partir de então, a vida se conforma ao que foi ouvido (ver com. de Mt 19:21-27).
Às igrejas: A promessa aqui feita à igreja de Éfeso pertence também a todas as “igrejas” da era apostólica, representadas pela de Éfeso. E, embora fosse apropriada em particular a essas igrejas, também se aplica aos cristãos de todas as eras (ver com. de Ap 1:11).
C. Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
Vencedor: A forma verbal do grego indica que a pessoa “continua a superar ou permanece ganhando”. A ideia de vencer é recorrente no Apocalipse. As promessas do livro são preciosas para os filhos de Deus perseguidos em todas as eras. Contudo, o contexto (v. 2-6) revela que a vitória aqui mencionada se refere originalmente a vencer os falsos apóstolos e mestres que tentavam os cristãos a comer da árvore do conhecimento humano. Assim, é muito apropriado que a recompensa ao vencedor fosse acesso à árvore da vida.
No meio: Assim como no jardim do Éden (Gn 2:9). A localização salienta a importância da árvore no plano de Deus para um mundo perfeito.
Paraíso: Ver com. de Lc 23:43. O jardim do Éden era o “paraíso” na Terra. Quando o Éden for restaurado neste mundo, a Terra se tornará um “paraíso” mais uma vez (sobre aplicação da mensagem à igreja literal de Éfeso, ver com. de Ap 1:11).
8 - Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver:
A igreja de Esmirna — Note-se que ao apresentar-Se a cada igreja, o Senhor menciona algumas das Suas características que Lhe atribuem idoneidade para dar-lhes o testemunho que profere. A igreja de Esmirna, que estava prestes a passar pela prova ardente da perseguição, revela-Se como o que foi morto e reviveu. Se fossem chamados a selar com o sangue o seu testemunho, deviam lembrar-se de que repousavam sobre eles os olhos dAquele que participou da mesma sorte, mas triunfou sobre a morte e podia fazê-los sair das suas sepulturas de mártires (EGW).
A. Ao anjo da igreja em Esmirna: Ver com. de Ap 1:20.
Esmirna. Não há registro de quando a igreja foi fundada ali nem de quem realizou esse trabalho. Ela não é mencionada em nenhuma outra parte das Escrituras. Jesus Cristo mandou uma mensagem para a igreja de Esmirna. A cidade de Esmirna existe até hoje, e fica na Turquia, mas na época era uma cidade grega. Localizada ao lado leste do mar Egeu, na província da Ásia, Esmirna era uma cidade rica e pagã, que tinha uma igreja pobre, muito perseguida, porém fiel a Deus. Essa mensagem para a igreja de Esmirna tem três aplicações. Ela serviu:
Para a igreja da cidade de Esmirna na época em que o Apocalipse foi escrito:
Historicamente, o período da igreja de Esmirna pode ter se iniciado por volta do fim do primeiro século (100 a 313 d.C). Aplica-se também a todas as igrejas que existiram durante o período profético da igreja de Esmirna. Quando Constantino passou a apoiar a causa da igreja.
Também se aplica de modo mais amplo a todas as igrejas de qualquer época e lugar, a todos os leitores da Bíblia, inclusive a nós hoje (Revista Adventista, 2019).
B. O primeiro e o último: Ver com. de Apocalipse 1:8, 17.
C. Que esteve morto e tornou a viver: Ver com. de Ap 1:18; 2:1. Para uma igreja que enfrentava perseguição e morte por sua fé, a ênfase na vida de Cristo teria grande importância.
9 - Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são sendo, antes, sinagoga de Satanás.
A. Conheço a tua tribulação, a tua pobreza. Comparar com o v.2.
Tribulação: Ou “angústia”, “problema”, “aflição”. A perseguição intermitente nas mãos dos vários imperadores caracterizou a experiência da igreja durante este período. Durante alguns reinados a perseguição era esporádica e localizada. A primeira perseguição geral e sistemática aos cristãos foi realizada por Décio (249-251) e Valeriano (253-259). A opressão política chegou ao auge sangrento sob o governo de Diocleciano (284 - 304) e de seus sucessores imediatos (305 - 313). Historicamente o período representado pela igreja de Esmirna pode muito bem ser chamado de era do martírio. Os séculos desde então sentem o aroma do amor da devoção dos milhares de mártires anônimos, desse período, que foram fiéis “até à morte”.
Pobreza: Do gr. ptõcheia, “pobreza abjeta” (ver com. de Mc 12:42). A igreja de Esmirna não era tão grande, nem próspera quanto a congregação vizinha em Éfeso. Os cristãos de Éfeso havia abandonado o primeiro amor. Esmirna em contrapartida, não recebeu essa repreensão. Em vez disso, Cristo a lembra de que era espiritualmente rica (ver com. de Tiago 2:5).
Conheço [...] a tua pobreza”, diz-lhes Cristo, “(mas tu és rico):” À primeira vista, isto parece um estranho paradoxo! Mas quem são os verdadeiros ricos neste mundo? Os que são “ricos na fé” e “herdeiros do reino”. As riquezas deste mundo, pela qual os homens tão avidamente lutam pelas quais com frequência trocam a felicidade presente e a vida eterna futura, são “moeda que não corre no Céu”. Segundo a justa observação de certo escritor, “há muitos ricos pobres, e muitos pobres ricos.” (EGW).
B. E a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são.
Blasfêmia: Do gr. blasphemia, “falar mal”, tanto de Deus quanto de pessoas. Neste contexto, a tradução “calúnia” pode ser preferível.
Judeus: É provável que o termo esteja num sentido figurado; assim como os cristãos de hoje são, às vezes chamados de Israel (ver Rm 2:28, 29; 9:6, 7; Gl 3:28, 29; 1 Pe 2:9). Da forma que é usado no texto, nos remete que se refere àqueles que afirmavam servir a Deus, mas na verdade, serviam a Satanás. A figura se baseia na história. O livro de Atos revela que muitos dos problemas da igreja apostólica surgiram por causa das acusações caluniosas que os judeus fizeram contra os cristãos (ver At 13:45; 14:2, 19; 17:5, 13; 18:5, 6, 12; 21:27). Ao que tudo indica essa era a situação de Esmirna. No 2º século, afirma-se que os judeus acarretaram o martírio de Policarpo, bispo de Esmirna. Durante essa época, Tertuliano chama as sinagogas de “fontes de perseguição”.
O “pastor” da igreja de Esmirna na época em que o Apocalipse foi escrito chamava-se Policarpo. Ele foi um dos que foram presos durante uma perseguição aos cristãos. “Os perseguidores, tendo chegado tarde da noite, descobriram que ele já fora para a cama no alto da casa. Ao saber que os perseguidores haviam chegado, desceu e dirigiu-lhes a palavra com semblante alegre e agradável, de modo que eles, que nunca o haviam visto, ficaram maravilhados. Ele imediatamente ordenou que uma mesa fosse posta, exortou-os a comer com apetite e pediu que lhe concedessem uma hora para orar sem ser molestado. Depois de terminar as orações, nas quais fez menção de todas as pessoas com quem entrara em contato na vida, chegada a hora de partir, eles o puseram sobre um jumento e o trouxeram para a cidade. Policarpo foi escoltado pelos guardas até o estádio. Lá, em meio a um ruído tão forte que poucos conseguiam ouvir alguma coisa, uma voz veio do céu dizendo: ‘Seja forte, Policarpo, e comporta-te como um homem!’ Ninguém viu quem falou, mas muitos ouviram a voz. Quando ele foi trazido ao tribunal, houve um grande tumulto no instante em que a multidão percebeu que Policarpo estava preso. O procônsul perguntou-lhe se ele era Policarpo. Ao ouvir a confirmação, ele o aconselhou a negar a Cristo, dizendo-lhe: ‘Jure, e eu o porei em liberdade; renegue a Cristo’. Policarpo respondeu: ‘Há oitenta e seis anos eu O sirvo, e Ele nunca me faltou. Como então blasfemarei meu Rei, que me salvou?’ E depois disse ao procônsul: ‘Eu sou um cristão, e, se deseja aprender a doutrina cristã, marque um dia, e então poderá me ouvir.’ “Se não mudar de ideia, você será queimado vivo”, disse o procônsul. Então Policarpo disse: ‘Faça tudo o que lhe agradar’. O procônsul mandou o arauto proclamar três vezes no meio do estádio: ‘Policarpo confessou que é cristão.” Mal essas palavras foram proferidas, toda a multidão de Esmirna, com fúria violenta se pôs a gritar: ‘Este é o pai dos cristãos e o destruidor dos nossos deuses, que ensinou muitos a não oferecer sacrifícios e a não adorar. Então puseram-se a gritar que ele deveria ser queimado vivo. O povo imediatamente apanhou lenha. Quando quiseram amarrá-lo na fogueira, Policarpo disse: ‘Deixem-me como estou. Não é preciso prender-me, pois aquele que me dá forças para suportar o fogo também me fará permanecer na fogueira sem eu quiser fugir. Disse ele então: ‘Ó Pai, eu Te bendigo por me teres considerado digno de receber o meu prêmio entre os mártires. Assim que ele proferiu a palavra ‘amém’, os oficiais acenderam o fogo.” (John Foxe, O Livro dos Mártires). Isso aconteceu num sábado, dia 23 de fevereiro do ano 155 (Revista Adventista, 2019).
Não são: Eles eram hipócritas.
A linguagem de Paulo esclarece este ponto. Diz ele: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra: cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Romanos 2:28, 29). E, noutro lugar, diz: “Porque nem todos os que são de Israel, são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos” (Romanos 9:6, 7). Em Gálatas 3:28, 29 Paulo diz-nos ainda que em Cristo não há distinção exterior entre judeu e grego, mas se somos de Cristo, então somos descendência de Abraão (no verdadeiro sentido) e herdeiros segundo a promessa (Centro de Pesquisas Ellen G. White, 2014).
Sinagoga de Satanás: Pode ser comparado com o infame epíteto “raça de víboras” (Mt 3:7). Por ser o centro da vida judaica em comunidade, sem dúvida, a sinagoga era o local onde muitas conspirações eram tramadas contra os cristãos. O nome Satanás significa “acusador” ou “adversário” (ver com. de Zc 3:1; Ap 12:10). Esses centros judaicos se tornaram, literalmente, “ sinagogas do acusador”.
10 - Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
A. Não temas as coisas que tens de sofrer: Ver com. de Tiago 1:2; cf. Jo 16:33. “Não tenha medo das coisas que você vai sofrer.” A mensagem de Jesus é clara. O cristão não deve ficar dando espaço para o medo em sua vida. Os cristãos de Esmirna tinham suas provações. Nós temos as nossas dificuldades e os nossos problemas. Você não precisa ter medo se ficar doente. Não precisa ter medo se as pessoas parecem ter abandonado você. Não precisa ter medo de que os conflitos o derrotem. Jesus diz: “Conheço a tribulação pela qual você está passando” (Ap 2:9). Sim, Jesus conhece tudo o que você passa. Ele sofreu como você. Ele sofreu por você. Ele sofre com você
Os irmãos da igreja histórica de Esmirna, na Ásia Menor, passaram por muitas perseguições e dificuldades. “Eis que o diabo está para lançar alguns de vocês na prisão, para que sejam postos à prova”. Essa profecia de Jesus se cumpriu na igreja de Esmirna.
Tens de sofrer: Ou, “estás prestes a sofrer”. Ao que parece, a igreja de Esmirna fora um alvo da difamação dos judeus, mas seus membros ainda não haviam sentido o peso da perseguição. No entanto, os cristãos certamente sabiam da perseguição que assolava outras igrejas e deviam estar prevendo problemas. Essa ideia é sugerida pela forma do verbo traduzido aqui por “temas”, subentendendo que eles já estavam com medo. Cristo os consola com a certeza de que, apesar da iminente perseguição, eles não precisam temer (ver com. de Mateus 5:10-12).
“Ninguém que recebe a Palavra de Deus está isento de dificuldades; mas, quando vem a aflição, o verdadeiro cristão não se torna inquieto, sem confiança nem desanimado. Embora não vejamos o resultado definido das circunstâncias, ou não percebamos o propósito das providências de Deus, não devemos rejeitar nossa confiança. Lembrando-nos da terna misericórdia do Senhor, lancemos sobre Ele nossos cuidados e esperemos com paciência a salvação. Pela luta a vida espiritual é fortificada. Provações bem suportadas desenvolverão a resistência do caráter. O perfeito fruto da fé, da mansidão e do amor amadurece frequentemente melhor debaixo de tempestades e trevas” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 60, 61).
Profeticamente, uma provação semelhante nos aguarda. Semelhantemente aos cristãos de Esmirna, nós também vamos passar por uma grande tribulação. Muitos de nós seremos perseguidos, presos e mortos. Mas a mesma mensagem que Jesus falou para a igreja de Esmirna, ele também fala para nós: “Não tenha medo das coisas que você vai sofrer!”.
B. Para serdes postos à prova: Ou, “testados”. Satanás os sujeitaria a perseguição a fim de prevalecer sobre eles, forçando-os a abandonar a fé. Deus permitiria a perseguição como meio de fortalecer e provar a fé daqueles cristãos era genuína. Embora Satanás possa demonstrar sua ira contra a igreja, a mão de Deus cumpre Seu propósito (ver com. de Tiago 1:2; Ap 2:9).
O imperador Trajano (98-117 d.C.) promulgou a primeira política romana oficial favorável ao cristianismo. Embora essa lei não vigorasse de maneira uniforme, ela continuou a existir até Constatino promulgar o edito da tolerância, em 313 d.C.
Logo, durante dois séculos, os cristãos estiveram sujeitos a prisão e morte repentinas por causa da fé. Seu bem estar dependia, em grande medida, do favor de seus vizinhos judeus e pagãos, que poderiam deixá-los em paz ou reclamar deles perante as autoridades. Isso pode se chamado de perseguição permissiva. O imperador não tomava a iniciativa de perseguir os cristãos, mas deixava que seus representantes e as autoridades locais tomassem as medidas que julgassem adequadas contra os cristãos. Essa política deixava os cristãos a mercê das várias administrações locais de onde moravam. Eles foram alvos de ataque principalmente em épocas de fome, terremotos, tempestades e outras catástrofes, pois seus vizinhos pagãos supunham que a recusa dos cristãos em adorar seus deuses ocasionava o derramamento da ira desses deuses sobre toda a Terra.
C. E terei tribulação de dez dias: Finalmente, no Apocalipse, na mensagem de Jesus Cristo à igreja de Esmirna, há uma mensagem que também fala de dez dias. Esta expressão dez dias tem sido compreendido de duas maneiras. Com base no princípio dia-ano de contagem dos períodos proféticos (ver com. de Dn 7:25), é interpretada como um intervalo de dez anos literais e aplicada ao período de perseguição imperial mais intensa (303-313 d.C.). Foi iniciada por Diocleciano e continuada por seu sucessor Galério. Esta foi uma tentativa de eliminar o cristianismo por meio da queima das Escrituras, destruição de igrejas e prisão de líderes. Os governantes acreditavam que a igreja havia crescido tanto em força e popularidade dentro do império que, a menos que o cristianismo fosse detido, o estilo de vida romano tradicional deixaria de existir e o império se desintegraria. Por isso, deram início a uma política cujo propósito era exterminar a igreja. O primeiro decreto de Diocleciano contra os cristãos foi promulgado no ano 303, banindo a prática do cristianismo em todo o império.
A perseguição começou no exército e se espalhou por todas as regiões. As autoridades romanas concentraram seus terrores sobre o clero cristão, crendo que, se os pastores fossem retirados, o rebanho se espalharia. Os horrores dessa perseguição foram descritos em detalhes por Teodoreto, historiador da igreja (História Eclesiástica) que narra a reunião dos bispos da igreja no concílio de Niceia, alguns anos após o fim da crise (325 d.C). Alguns chegaram ali sem os olhos, outros sem braços, que foram amputados, e outros com o corpo terrivelmente lesado de diferentes formas. Muitos, é claro, não sobreviveram ao período da tribulação. Em 313, dez anos após o início das perseguições Constantino e seu colega Licínio promulgaram um edito que concedeu aos cristãos (e a todos os outros) liberdade de prática religiosa.
Outros intérpretes não tem a certeza de que os “dez dias” representem um tempo profético. Raciocinam que “ as coisas que tens de sofrer”, o “diabo”, a “prisão” e a “morte” são literais. Por isso, seria natural esperar que os “dez dias” sejam também literais. Neste caso, o número “dez” seria um total aproximado, como acontece com frequência nas Escrituras (Ec 7:19; Is 5:10; Dn 1:20; Am 6:9; Ag 2:16; Zc 8:23; Mt 25:1, 28; Lc 15:8).
D. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida: A forma verbal no grego indica “continua a ser fiel”. Esmirna demonstrara ser uma igreja fiel.
Coroa: Do gr. stephanos, uma “grinalda” ou “guirlanda” de vitória, não um diadema da realeza. Esta palavra era usada para a coroa de louros dada aos vencedores nos jogos gregos. Aqui, simboliza a recompensa entregue ao vencedor na luta contra o pecado.
Da vida: É provável que a melhor tradução para a expressão “coroa da vida” seja “coroa que é vida”. Esta coroa é uma evidência da vitória sobre o diabo e a “tribulação” que ele causa (comparar com 2Tm 4:8).
11 - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.
A. O vencedor: Ver com. do v. 7. Aqui é provável que a ênfase deva ser colocada no fato de vencer a despeito da “tribulação”, do V. 10.
B. Segunda morte: Em contraste com a primeira morte, que põe um fim temporário à vida e da qual a ressurreição, “tanto de justos como de injustos” (At 24:15). A segunda morte é a expiação final do pecado e dos pecadores; dela não se pode ressuscitar (ver com. de Ap 20:14; 21:8).
CARTA A IGREJA DE PÉRGAMO
12 - Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:
A. Ao anjo: Ver com. de Ap 1:20.
B. Igreja em Pérgamo: Foi a capital da província romana da Ásia por dois séculos após seu último rei, Átalo III, cedê-la para Roma, em 133 a.C., junto com o reino de Pérgamo. Desde o início do 3º século a.C., a cidade de Pérgamo fora o principal centro da vida cultural e intelectual do mundo helênico. Embora, na época de João, Éfeso estivesse começando a sobressair como a principal cidade da Ásia, Pérgamo continuava a ter parte de seu Status anterior. As duas cidades disputaram essa honra por muito tempo.
Contra a igreja anterior não é pronunciada nenhuma palavra de condenação. A perseguição tende sempre a conservar a igreja pura e incita seus membros à piedade. Mas chegamos agora um período em que começam a operar influências através das quais se foram introduzindo erros e males na igreja (Centro de Pesquisas Ellen G. White, 2014).
O significado do nome Pérgamo é incerto, mas pode ser derivado de “cidadela” ou “acrópole”. Experiência característica da igreja durante o período de Pérgamo foi de exaltação. De um status proscrito e perseguido, ela se elevou a uma posição de popularidade e poder (ver com. do v. 13). A palavra “Pérgamo” também significa “altura, elevação”. Foi um período em que os verdadeiros servos de Deus tiveram de lutar contra um espírito de política, orgulho e popularidade mundanos entre os professos seguidores de Cristo e contra as virulentas operações do mistério da iniquidade, que finalmente resultaram no completo desenvolvimento do homem do pecado - 2 Tessalonicenses 2:3 (Centro de Pesquisas Ellen G. White, 2014).
B. Espada afiada de dois gumes: Assim como os títulos descritivos que introduzem as mensagens às igrejas de Éfeso (v. 2:1) e Esmirna (2:8), este é extraído da descrição do Cristo Glorificado (ver com. de Ap 1:16; v. 2:1).
Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração (Hebreus 4:12).
13 - Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
A. Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás: Pérgamo havia se destacado em 29 a.C. por ser o local do primeiro culto a um imperador romano vivo. Um templo foi construído e dedicado à adoração conjunta da deusa Roma (a personificação do espírito do império) e do imperador Augusto. Na época em que João escreveu estas palavras, os cristãos eram perseguidos por se recusarem a adorar o imperador Domiciano (81-96 d.C), que insistia em ser chamado e adorado como “senhor e deus”. Pérgamo era também a capital religiosa da Ásia Menor. Era um centro do pensamento helenista (grego-mesopotâmico) e da adoração ao imperador. Tinha muitos templos pagãos, por isso, sua designação como o trono de Satanás era bastante apropriado.
A extensão do período de Pérgamo na história da igreja pode ser considerada desde a época em que Constantino apoiou a causa da igreja cristã, 313 d.C., ou de sua suposta conversão, talvez em 323 d.C., ou 325, até 538. Foi durante essa época que o bispo de Roma conquistou a liderança religiosa e, até certo ponto, política da Europa Ocidental, e quando Satanás estabeleceu seu “trono” dentro da igreja. O papado era uma mistura habilidosa de paganismo e cristianismo. Esse período pode ser chamado de era da popularidade.
B. E que conservas o meu nome: Ver com. do v. 3.
C. Não negaste a minha fé: Isto é, “fé em mim”. Os nomes da lista de Hebreus 11 receberam o destaque de “heróis da fé”.
D. Antipas: Nome grego composto, formado pelas palavras anti, “no lugar de”, e pas, forma abreviada de pater, “pai” (ver Lc 3:1; 24:18). Reflete esperança do pai de que o filho com este nome ocupasse seu lugar no mundo. Alguns comentaristas defendem que um cristão chamado Antipas foi martirizado em Pérgamo por sua fé pouco tempo antes, supostamente por se recusar a adorar o imperador. Se assim foi, a experiência e o exemplo desse mártir podem ser considerados típicos dos inúmeros fiéis que sofreram por sua fé em eras posteriores. Embora seja possível que o nome tenha uma aplicação figurada ao período de Pérgamo, na história da igreja, o profeta não dá pistas claras a esse respeito.
E. Minha testemunha: Do gr. martus, “testemunha”. A palavra “mártir” é alguém cuja morte testemunha de sua fé. O grego traduzido aqui por “testemunha, Meu fiel” é idêntico ao usado em referência a Cristo, traduzido simplesmente por “testemunha fiel” (Ap 1:5).
14 - Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.
A. Os que sustentam a doutrina de Balaão: Ver Nm 22 - 24. A analogia com Balaão sugere que havia, em Pérgamo, pessoas cujo propósito era provocar divisão e levar ruína à igreja, incentivando práticas proibidas aos cristãos (ver com. de Atos 15:29).
B. O qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel: Do gr. skandalon, o gatilho que faz a armadilha disparar. Por isso, “armar ciladas” diante de alguém é fazer a pessoa tropeçar (ver com. de Mt 15:29).
C. Para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição: As duas práticas mencionadas aqui haviam sido proibidas no concílio de Jerusalém (ver com. de Atos 15:29; Rm 14:1; 1 Co 8:1). Balaão influenciou Israel a “prostituir-se com as filhas dos moabitas”, a sacrificar aos deuses moabitas e, possivelmente, a comer das carnes sacrificadas a esses deuses (Nm 25:1-2; 31:16).
Esses pecados levaram a uma mistura de paganismo com religião verdadeira. Aplicado à história cristã, esse retrato é particularmente apropriado à situação da igreja no período posterior à legalização do cristianismo por Constantino, em 313 d.C., e a sua conversão nominal cerca de dez a doze anos depois. Ele se dedicou à política de misturar paganismo e cristianismo tanto quanto possível, na tentativa de unir os elementos divergentes dentro do império, e com isso se fortalecer. A posição favorável e até mesmo dominante que concedeu à igreja a transformou em presa das tentações que sempre acompanham a prosperidade e a popularidade. Durante o governo de Constantino e de seus sucessores, que deram continuidade a essa política favorável, a igreja logo passou a ser uma instituição política eclesiástica e perdeu muito de sua espiritualidade.
15 - Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.
A. Doutrina dos nicolaítas: Ver com. do v. 6.
16 - Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.
A. Portanto, arrepende-te: Esta advertência veemente reflete o grave perigo espiritual que confrontava a igreja de Pérgamo.
B. Espada da minha boca: Ver com. de Ap 1:16. A espada simboliza a punição resultante de não se arrepender.
17 - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.
A. Quem tem ouvidos: Ver com. do v. 7.
B. Ao vencedor: Ver verso 7.
C. Maná escondido: Ver Êx 16:14-36. Alguns acham que a alusão seja ao maná que Arão colocou em um vaso e conservou na arca (Êx 16:33; Hb 9:4). Um antigo ensino judaico declara que, quando o Messias viesse, “o tesouro do maná desceria de novo do céu, e o povo comeria dele naqueles anos”. Levando-se em conta João 6:31 a 34, parece que o profeta, nesta passagem, tem a intenção de transformar o maná em um símbolo da vida espiritual em Cristo hoje, e da vida eterna no Céu (ver com. de Jo 6:32-33).
D. Uma pedrinha branca: Vários costumes antigos foram sugeridos a fim de explicar o motivo para estabelecer esta alusão ao presente de uma pedrinha branca, mais nenhuma delas é satisfatória. Tudo que pode ser dito com certeza é que João, sem dúvida, se refere a alguma cerimônia que envolve a entrega de um presente ou de uma honra especial.
E. Nome novo: Na Bíblia, o nome de uma pessoa geralmente representa seu caráter, e um novo nome indica um caráter novo. O padrão do novo nome não sugere o antigo, mas o substitui e é diferente dele. Este versículo promete um “nome novo” para o cristão, isto é, um caráter novo e diferente, modelado com base no de Deus (Is 62:2; 65:15; Ap 3:12).
F. Ninguém conhece: O renascimento espiritual e a transformação do caráter são experiências pessoais. Explicar essa experiência a alguém que não nasceu de novo não é totalmente possível (João 3:5-8).
CARTA A IGREJA DE TIATIRA (Versos 18-29)
18 - Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido:
A. Ao anjo da igreja em Tiatira: A origem e o significado deste nome são incertos. Alguns sugerem que Tiatira significa “doce sabor do trabalho”, talvez com base nas “obras” mencionadas da igreja (v.19). Embora menos notável do que as outras seis cidades, a antiga Tiatira se distinguia pelo número e pela diversidade de comércios e artes manuais que ali prosperavam. Tiatira significa também pode significar “perfume suave de labor” ou “sacrifício de contrição”. Este nome descreve bem o estado da igreja de Jesus Cristo durante o longo período de triunfo e perseguição papal. Este tempo que foi de terrível tribulação sobre a igreja, como nunca houve (Mateus 24:21) melhorou a condição religiosa dos crentes. Daí o receberem por suas obras, caridade, serviço, fé e paciência, o elogio dAquele cujos olhos são como chama de fogo. As obras são de novo mencionadas como dignas de duplo elogio, visto que as últimas são melhores do que as primeiras graça e em todos estes elementos do cristianismo. Este progresso, nessas condições, foi elogiado pelo Senhor. Esta igreja é a única elogiada por progresso em coisas espirituais. Mas assim como na igreja de Pérgamo as circunstâncias desfavoráveis não eram desculpa para falsas doutrinas na igreja, nesta, a quantidade de trabalho, caridade, serviço, fé ou paciência não pode compensar igual pecado. É-lhes apresentado, pois, uma censura por tolerarem no seu meio um agente de Satanás. Embora menos notável do que as outras seis cidades, a antiga Tiatira se distinguia pelo número e pela diversidade de comércios e artes manuais que ali prosperavam. Ao que tudo indica, o tingimento de tecidos estava entre as atividades mais destacadas (At 16:14). Sem dúvida, os cristãos de Tiatira tinham oportunidades de emprego nos ateliês locais.
Quando aplicada à história cristã, a mensagem a Tiatira é particularmente apropriada à experiência da igreja verdadeira durante a idade média. Essa época é caracterizada como a era da supremacia papal. Se o período abrangido pela igreja de Pérgamo foi corretamente localizado, terminou com o estabelecimento do papado, em 538. A divisão mais natural que se pode conferir para a igreja de Tiatira seria a duração da supremacia papal, ou seja, os 1.260 anos que transcorrem desde 538 a 1798. A importância do intervalo de 1.260 anos na profecia bíblica (Dn 7:25; Ap 12:6) sugere que 1798 pode ser uma data final adequada para Tiatira.
As tendências iniciadas em períodos anteriores se tornaram dominantes durante a Idade Média. As escrituras não estavam disponíveis ao cristão comum, e a tradição foi exaltada em seu lugar. As boas obras passaram a ser consideradas o meio para a salvação. Um sacerdócio terreno e humano obscurecia o sacerdócio verdadeiro e divino de Jesus Cristo. Foi um tempo de grandes dificuldades para aqueles que resistiram à grande apostasia. O período histórico da igreja de Tiatira pode muito bem ser chamado de era da adversidade. Por causa da perseguição, a chama da verdade enfraqueceu e quase apagou. A Reforma Protestante foi, em essência, uma restauração das grandes verdades do evangelho. Proclamou que os seres humanos podem ser salvos apenas mediante a fé em Jesus Cristo, que o único padrão de fé e prática é a Bíblia e que cada um pode suplicar em seu próprio favor diante do grande sumo sacerdote, Jesus Cristo, sem recorrer a um intercessor humano (1 Timóteo 2:5).
B. Esta coisa diz o Filho de Deus: Ver com. de Lc 1:35; Jo 1:14; Mt 16:16; João 6:69 e Mt 14:33. Este título, assim como aqueles que introduzem as mensagens às outras igrejas, é retirado da descrição do Cristo glorificado (Ap 1:13; ver com. de Ap 2:1 - Éfeso; Ap 2:8 - Esrmirna; Ap 2:12 - Pérgamo; Ap 2:18 - Tiatira; Ap 3:1 - Sardes; Ap 3:7 - Filadélfia; Ap 3:14 Laodicéia). O artigo definido usado identifica, de maneira específica, o autor da mensagem como sendo a segunda pessoa da Divindade (ver com. de Ap 1:13).
C. E que tem olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Ver com. Ap. 1:14-15.
19 - Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras.
A. Conheço as tuas obras: Ver com. do v. 2.
B. O teu amor: Do gr. agape, “amor” (ver com. de AP 5;43 ,44). Evidências textuais atestam a sequência “amor, e fé, e serviço, e perseverança”. Trata-se da enumeração das “obras” da igreja de Tiatira. O amor e a fé são a base interior para a expressão externa do serviço e da perseverança.
C. Tua fé: Do gr. pistis (ver com. de Rm 3:3).
D. O teu serviço: Do gr. diakonia, “serviço” ou “ministério” (ver com. de Rm 12:7).
E. A tua perseverança: Do gr hupomone (ver com. de Ap 1:9).
F. E as tuas últimas obras: Isto é, as últimas obras são maiores do que as primeiras. A mensagem a Tiatira é a única das sete que contém um reconhecimento de melhora. A despeito das dificuldades em Tiatira, essa igreja experimentou crescimento espiritual, em contraste com a experiência de Éfeso (v 4, 5).
20 - Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.
A. Tenho porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel: Do gr aphiemi, “permitir”, “deixar operar”. A igreja estava em falta não só porque muitos se submeteram à apostasia, mas também porque não foi feito nenhum esforço para deter o avanço do mal.
B. Jezabel: Sobre a figura histórica Jezabel, ver 1Rs 16:31; 18:13; 19:1-2; 21:5-16, 23-25; 2Rs 9:30-37. Assim como Jezabel propagou a adoração a Baal em Israel (1Rs 21:25), alguma falsa profetisa da época de João estaria desencaminhando a igreja de Tiatira. A mensagem revela que, mais do que em Pérgamo (Ap 2:14), a apostasia era desenfreada. Aplicada ao período de Tiatira na história cristã, a figura de Jezabel representa o poder que causou a grande apostasia medieval (Daniel 7; ver com. de Ap 2:18 e Ap 17).
O motivo da censura — “Essa mulher, Jezabel”. Como na igreja precedente Antipas não significava um indivíduo, mas uma classe de pessoas, “Jezabel” é aqui apresentada no mesmo sentido. Watson afirma: “O nome de Jezabel é usado proverbialmente. Apocalipse 2:20).” E Miller diz o seguinte: Jezabel é um nome figurado, alusivo à mulher de Acabe, que matou os profetas de Jeová, levou seu marido à idolatria e alimentou os profetas de Baal à sua própria mesa. Não se podia usar uma figura mais flagrante para representar as abominações papais (Ver 1 Reis 18, 19, 21). Vê-se, pela história, bem como por este versículo, que a Igreja de Cristo tolerava que alguns dos monges papais pregassem e ensinassem no meio dela.
Os castigos com que se ameaça esta mulher estão em harmonia com as ameaças em outras partes deste livro contra a Igreja Romana, sob o símbolo de uma mulher corrupta, a mãe das prostituições e abominações da Terra (Ver Apoc. 17, 18 e 19). A morte com a qual ele é ameaçado, sem dúvida, é a segunda morte, no fim do milênio de Apocalipse 20, quando se der a justa retribuição por Aquele que sonda os “rins e os corações” de todos os homens. E, além disso, notemos a declaração: “E vos darei a cada um segundo as vossas obras” é uma prova de que a carta a esta igreja refere-se profeticamente à recompensa ou castigo final de todos os seus responsáveis..
C. Praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas: Ver com Ap 2:14; 2Rs 9:22. A acusação era, em primeiro lugar, à igreja local de Tiatira. Quando aplicada ao período de Tiatira na história cristã, representa uma mistura do paganismo com o cristianismo (Ez 16:15; Ap 17:1). Esse processo foi acelerado durante o governo de Constantino e seus sucessores. O cristianinsmo medieval absorveu, em grande medida, formas e práticas pagãs.
21 - Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.
A. Tempo para que se arrependesse: A oferta de perdão se estendeu à profetisa impenitente por um período considerável.
B. Não quer arrepender-se da sua prostituição: Não está disposta a se arrepender ou se recusa a fazê-lo. Não se tratava de um caso de falta de luz, nem de ignorância deliberada, mas de rebelião persistente.
22 - Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.
A. Eis que a prostro de cama: O castigo para a falsa profetisa seria apropriado a seu crime. Esta expressão parece ter origem semita e é usada para se referir a quem adoece (Êx 21:18; Mt 9:2). Na língua portuguesa, há a expressão “ficar de cama” ( ver com. de Ap 17:16-18).
B. Os que com ela adulteram: (Comparar com Ap 17:1-2).
C. Caso não se arrependam: A porta da misericórdia ainda não havia fechado por completo. Deus não isola os pecadores; são estes que se isolam dEle.
D. Das obras que ela incita: Do ponto de vista de Deus falando à igreja, os pecados de Jezabel e de seus amantes são essencialmente os pecados dela, pois, por ser profetisa, exercia liderança.
23 - Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras.
A. Matarei os seus filhos: João pode ter em mente Ez 33:27, em que o trecho significativo diz, literalmente: “E aqueles nas cavernas Eu matarei com morte”. Em vez de “morte”, o hebraico traz “praga” ou “peste”. É possível que este seja o sentido de matarei.
B. Filhos: A fornicação de Jezabel era habitual, pois já tinha filhos. O provável sentido figurado é que ela havia conquistado adeptos comprometidos. O juízo recairia não só sobre a mãe, mas também sobre sua descendência, contaminada com seu mau caráter (comparar com a destruição dos filhos de Acabe, em 2Rs 10:7).
C. “E todas as igrejas conhecerão”: — Tem-se argumentado que esta expressão demonstra que estas igrejas não podem significar sete períodos sucessivos da dispensação evangélica, mas deviam existir ao mesmo tempo, ou do contrário todas as igrejas não poderiam saber que Cristo era o perscrutador dos rins e corações, ao verem os seus juízos sobre Jezabel e seus filhos. Mas quando é que todas as igrejas hão de saber isto? Quando esses filhos forem castigados com a morte. E se isso há de suceder na altura em que a segunda morte é infligida a todos os ímpios, então, de fato, “todas as igrejas”, ao presenciarem a execução do castigo, conhecerão que não há nada secreto, não há mau pensamento ou desejo do coração, que se tenha furtado ao conhecimento dAquele que, com olhos como chamas de fogo, sonda os corações e rins dos homens.
D. Mentes: Ou, os “rins”. Antigamente, pensava-se que os rins eram o centro da vontade e das afeições (ver com. de Sl 7:9).
E. Corações: Isto é, o intelecto. Cristo conhece tanto os pensamentos quanto as emoções. Seu juízo é justo porque Ele vê e leva em conta os segredos do coração (ver Sl 7:9; Jr 11:20; ver com. de 1Sm 16:7).
24 - Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós;
A. Os demais de Tiatira: Isto é, os cristãos fiéis em Tiatira. Historicamente, a expressão se refere aos pequenos grupos, ao longo da Idade Média, que procuraram permanecer leais ao cristianismo apostólico. Esses movimentos eram encontrados tanto dentro quanto fora da estrutura formal da igreja dominante. De particular importância eram os valdenses, no continente europeu, e os seguidores de Wycliffe, na Inglaterra. Nenhum deles tinha a verdade evangélica conforme proclamada posteriormente na Reforma Protestante. Contudo, a mensagem aos “demais de Tiatira” era adequada para eles. Deus não colocaria sobre eles outra carga além de ser fiéis à luz que possuíam.
B. A tantos, quanto não tem essa doutrina: Isto é, o ensinos de Jezabel (ver com. do v 20).
C. Coisas profundas: Literalmente “profundidades”, com o sentido de “coisas profundas”. Cristo toma as palavras que os apóstatas aplicavam orgulhosamente aos próprios ensinos (“como eles dizem”) e dá a elas o nome devastador de “as coisas profundas de Satanás”. Os gnósticos afirmavam ser os únicos conhecedores das “coisas profundas”.
D. Outra carga: A fidelidade à luz que tinham seria suficiente. “Outra carga não jogarei sobre vós” — Cremos que é aqui prometido à igreja alívio da carga, a saber, que durante tanto tempo suportou o peso da opressão papal. Não pode aplicar-se à recepção de novas verdades, porque a verdade não é uma carga para nenhum ser responsável. Mas os dias de tribulação que haviam de vir sobre a igreja seriam abreviados por causa dos escolhidos (Mateus 24:22). “Serão ajudados”, diz o profeta, “com um pequeno socorro” (Daniel 11:34). “E a terra ajudou a mulher”, diz João (Apocalipse 12:16).
25 - tão somente conservai o que tendes, até que eu venha.
A. Até que eu venha: A “bendita esperança” (Tt 2:13) do breve retorno de Cristo sempre foi o esteio dos Cristãos que passam por angústias. Cristo não indicou com isso que voltaria enquanto os membros da igreja local de Tiatira estivessem vivos, nem dentro do período de Tiatira na história da igreja (ver com. de Ap 1:1).
A admoestação — “Conservai o que tendes, até que eu venha.” Estas palavras do Filho de Deus apresentam-nos uma vinda incondicional. As igrejas de Éfeso e Pérgamo eram ameaçadas com esta vinda sob condições: “Arrepende- -te, pois, quando não, em breve virei a ti.” Esta vinda implicava um castigo. Mas aqui se apresenta uma vinda de caráter diferente. Não é uma ameaça de castigo. Não depende de condição. É proposta ao crente como uma esperança, e não se pode referir a outro acontecimento senão à futura segunda vinda do Senhor em glória, em que cessarão as provações do cristão. Então seus esforços na carreira da vida e sua luta pela coroa de justiça serão recompensados com sucesso eterno. Esta igreja leva-nos ao tempo em que começam a cumprir-se os mais imediatos sinais da Sua vinda iminente. Em 1780, dezoito anos antes do fim deste período, realizaram-se os sinais preditos no Sol e na Lua (ver os com. sobre Ap 6:12). E, referindo-Se a esses sinais, disse o Salvador: “Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21:28). Na história desta igreja atingimos um ponto em que o fim se aproxima tanto que a atenção do povo podia chamar-se mais particularmente para esse acontecimento. Para todo o intervalo de tempo Cristo disse: “Negociai até que Eu venha” (Lc 19:13). Mas, para agora diz: “Retende-o até que Eu venha”.
26 - Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
A. Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras: Ver com. do V. 7.
A promessa ao vencedor — “Até o fim” Isto deve referir-se ao fim da era cristã. “Aquele que perseverar até o fim”, diz Cristo, “será salvo” (Mateus 24:13). Não temos aqui uma promessa igual para aqueles que guardam as obras de Cristo, fazem o que Ele ordenou e têm a fé de Jesus? (Apocalipse 14:12).
As minhas obras. Isto é, as obras refletem o caráter de Cristo. Elas faziam contraste com as “obras” daqueles que se aliavam a Jezabel (ver com. do v. 22).
Autoridade sobre as nações: “Autoridade sobre as nações” — Neste mundo dominam os ímpios, e os servos de Cristo não são estimados. Mas está chegando o tempo em que a justiça terá a primazia, em que toda impiedade será vista à sua verdadeira luz e será plenamente desacreditada, e em que o cetro do poder estará nas mãos do povo de Deus. Esta promessa é esclarecida pelos seguintes fatos e afirmações bíblicas: As nações hão de ser entregues pelo Pai nas mãos de Cristo para serem esmigalhadas com uma vara de ferro e despedaçadas como um vaso de oleiro (Salmos 2:8, 9). Os santos associar-se-ão com Cristo quando Ele assim iniciar Sua obra de poder e juízo (Apocalipse 3:21). Hão de reinar com Ele, nessas funções, por mil anos (Apocalipse 20:4). Durante este período é determinado o grau do castigo dos ímpios e dos anjos maus (1 Coríntios 6:2, 3). No fim dos mil anos terão a honra de participar com Cristo na execução da sentença escrita (Salmos 49:9).
27 - e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro;
A. E com cetro de ferro as regerá: A palavra grega representa o heb. shevet (Sl 2:9), que pode significar o bordão de um pastor (Sl 23:4), um cetro (Sl 45:6) ou uma vara de castigo (Sl 125:3). O contexto sugere que o “Cetro” aqui é tanto símbolo de governo quanto um instrumento de punição.
B. Regerá: Do gr. poimaino, literalmente, “pastorear”, portanto, “governar” (Mt 2:6). A citação é baseada no Salmo 2:9. Na segunda vinda, Cristo reduzirá as nações a pedaços com um “cetro de ferro” (ver com. de Ap 19:15). No pseudepígrafo, deixa-se claro que os judeus consideravam o Salmo 2:9 uma predição messiânica: “Ele [o Messias, Filho de Davi] lançará os pecadores fora da herança. Ele destruirá o orgulho do pecador como um objeto de barro. Com cetro de ferro reduzirá a pedaços toda sua substância”. Uma vez que os redimidos viverão e reinarão com Cristo, eles são representantes aqui compartilhando de Sua obra (ver com. de Ap 12:5, 20:4).
B. Reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro: A regência mencionada resulta em destruição dos ímpios (ver com. de Ap 12:5; Ap 20:4).
28 - assim como também Eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.
A. Assim como também Eu recebi de meu Pai: Ver Mt 11:27; 28:18; Jo 3:35; 5:22, 27; At 17:31.
B. Dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã: Isto é o próprio Cristo (Ap 22:16; 2Pe 1:19). A Estrela da Manhã — Cristo diz, em Apocalipse 22:16, que Ele próprio é a Estrela da Manhã. A estrela da manhã é a imediata precursora do dia. A aqui chamada Estrela da Manhã é chamada Estrela da Alva em 2 Pedro 1:19, onde está relacionada com o amanhecer: “Até que o dia clareie e a Estrela da Alva nasça em vossos corações”. Durante a penosa noite de vigília dos santos a palavra de Deus derrama a necessária luz sobre o seu caminho. Mas quando a Estrela da Alva lhes aparece nos corações, ou a Estrela da Manhã é dada aos vencedores, entrarão numa relação tão íntima com Cristo que os seus corações ficarão completamente iluminados pelo Seu Espírito, e eles andarão na Sua luz. Então não mais terão necessidade da firme palavra da profecia, que agora brilha como uma luz em lugar escuro.
29 - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
A. Quem tem ouvidos. Ver com. de v. 7.
B. Ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ver com. de v. 7.
REFERÊNCIAS:
Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia: Filipenses a Apocalipse, Volume 07. CPB, Tatuí, SP. 2014.
https://noticias.adventistas.org/pt/coluna/diogo-cavalcanti/as-sete-igrejas-e-jesus/ > Acesso em 29 de Maio. 2021.
Centro de Pesquisas Ellen G. White Título do Original: “Thoughts on Daniel and the Revelation” Escrito por Uriah Smith Publicado em português originalmente por: Publicadora Atlântico. 2014. https://www.unasp.br/ec/sites/centrowhite/wp-content/uploads/2019/02/Daniel-e-Apocalipse.pdf > Acesso em 29 de Maio. 2021.
https://m.egwwritings.org/pt/book/12173.1678 > Acesso em 29 de Maio. 2021.
http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/5/578/592/o-apocalipse > Acesso em 29 de Maio. 2021.
https://www.feliz7play.com/pt/igrejas-da-asia-parte-1/ > Acesso em 29 de Maio. 2021.
https://estudosdabiblia.net/d130.htm > Acesso em 29 de Maio. 2021.
Revista Adventista: Prova dos Dez. 26 de Fevereiro de 2019. https://www.revistaadventista.com.br/fernandodias/destaques/a-prova-dos-dez/ > Acesso em 29 de Maio. 2021.
Bíblia Online (Almeida Revista e Atualizada, Bíblia - Almeida Corrigida Fiel, Bíblia - Nova Almeida Atualizada). https://www.bibliaonline.com.br/
Revista BibliaFacil Apocalipse. https://biblia.com.br/destaques/apocalipse/
Dicionário biblia.com.br. https://biblia.com.br/dicionario-biblico/